

| Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006 |
| Faço o melhor que sou capaz só pra viver em paz. |
| Voltei pra academia. Pra Energia que é mais perto de casa, mesmo sendo muito mais cara que várias que eu conheço e não tão boa assim. Mas o problema nem é pagar os R$ 50,00 por mês para poder usar os aparelhos de musculação e as esteiras e bicicletas ergométricas. Pra mim o pior é ter que pagar R$ 15,00 por uma avaliação física. Eu estava decidido que eu não faria essa avaliação, pois acredito que é pura perda de tempo (e sendo bem sincero R$ 15,00 podem ser bem melhor investidos) e na verdade, quem vai me passar o treino é minha antiga fisioterapeuta que também é matriculada ali. Na hora de pagar eu disse pro cara que é dono da academia que eu não ia fazer. E ele disse que era necessário (acho que ele não quis dizer obrigatório) fazer o teste. Eu não tava muito afim de entrar em detalhes com o cara, mas expliquei que eu estava voltando de um tempo no hospital e que ia seguir os aconselhamentos de minha fisioterapeuta, que por sinal ia me vigiar de perto, pois também era aluna ali. Ele ficou enrolando, que eu tinha que fazer, porque é bom e tal e coisa. Que a pessoa que ia fazer a avaliação era capacitada pra me aconselhar em tudo que eu precisasse e que tinha experiência nesse tipo de caso. Como vi que o cara não ia desistir tão fácil de ganhar a grana dele, acabei eu desistindo. Paguei e fui fazer a tal avaliação. Chegando lá tinha uma guria que disse que ia fazer a avaliação. Me pesou e me mediu (e eu com a vaga impressão que que era a mesma coisa ter ido em uma balança no supermercado). Depois disso, vieram as perguuntas. Também estava convicto em não falar nada sobre a situação do hospital. Mas daí eu pensei: Por R$ 15,00 o mínimo que eu posso fazer é me divertir um pouco. Ela perguntou se eu tomava algum remédio. Eu disse que não. Perguntou se eu tinha feito alguma cirurgia recentemente. Eu disse que só uma extração de músculo liso pra uma biópsia. Ela fez uma cara de "Hum, entendo". E então ela fez a pergunta que não devia: - Alguma doença? - Sim. Eu tenho a Síndrome de Guillain-Barré. Agora a cara era de "Como?". Síndrome de Guillain-Barré, sabe? Uma polineuropatia inflamatória. Definitivamente ela não sabia. - Tu é da área da saúde? Incrível como essa pergunta pareceu defensiva. - Não. Mas isso é bem básico, né? Me pareceu um sorriso bem forçado. - E como funciona? Tu tem noção que seria mais demorado explicar isso que pedir pro Fidel fazer um resumo da situação atual do Haiti? - Basicamente, eu perco movimento dos músculos. Acho que ela pensou que agora tava entendo. - Mas por quê? - Porque é uma síndrome de imuno-deficiência que ataca a bainha de mielina impedindo o sistema nervoso de passar os impulsos para os músculos. - Certo. Eu vou chamar meu colega que, é ele que vai te passar o treino, e daí tu explica pra ele também. Claro, qual é a formação dele? Pedreiro? No fim, como de início, quem fez o treino foi a Rochele e eu. E eu morri em R$ 15,00. Engraçado, mas pareceu que quem devia receber era eu. |
| Escrito por Kbelo às 00:11 |